A Comunidade Ilaceana enfrenta um de seus maiores desafios: o da continuidade, o de perpetuar o legado do Leão. Todos nós, ilaceanos, gravitávamos em torno da magnífica figura que ele foi, cujo nome e história se confundem com o ILACE, amálgama de sonho, paixão e compromisso.
Hoje, perplexos, descobrimos que precisamos aprender a distribuir entre os membros do grupo a articulação e a condução do ILACE, o que implica em uma nova dinâmica de funcionamento, mais distribuída porém não menos intensa.
É pensamento comum do nosso Conselho a preservação, a continuidade e o crescimento do ILACE. Todos sabemos o quanto estávamos empenhados na tarefa de repensar o ILACE de forma a mantê-lo simultaneamente fiel aos seus princípios filosóficos e também inserido na contemporaneidade, participando de forma mais incisiva no processo de transformação da sociedade e do País.
Sendo assim, novas atividades já estão sendo planejadas, dentre as quais o curso “Plataforma do Pensar Eficaz/201º Curso de Imersão em Criatégia”, previsto para o período de 04 a 07 de Agosto de 2010. Mais detalhes serão divulgados brevemente.
Esperamos manter vivo o espírito ilaceano através de uma comunicação mais constante, propiciando novos encontros e continuando a catalisar transformações nos diversos palcos pessoais e profissionais.
Está entrando nos cinemas esse filme que trabalha uma temática muito nossa — a valência existencial ou, com licença dos psicanalistas, a “pulsão” do protagonismo. Trata-se de um documentário que mostra como as escolas públicas e privadas, tanto as de periferia como as de áreas nobres, não abrem condições para que os alunos se percebam “válidos e valiosos” no mundo. (Veja aqui um trailer do filme.)
À primeira vista, é um filme sobre como o ambiente das escolas e o processo de educação-ensino facilitam ou não a aprendizagem. Sim, trata de tudo isso e o faz brilhantemente. Mas a câmera do diretor, João Jardim, não esteve pasma e passiva e, assim, mostra-nos o prejuízo mais profundo e duradouro que a educação-ensino causa a milhões de vidas: retira-lhes a possibilidade de se descobrirem protagonistas.
Aliás, essa é uma tarefa que vai além da escola: facilitar não só aos estudantes, mas a todos os cidadãos, se enxergarem como “válidos e valiosos”. Para quem olha o futuro como o lugar onde temos de sobreviver, é a tarefa de todos os ambientes e instituições.
José Leão de Carvalho
Texto registrado em nome do autor no Escritório de Direitos Autorais da BIBLIOTECA NACIONAL, em 31 de julho de 2001.
Desastre sm. Acontecimento calamitoso, especialmente o que ocorre de súbito e ocasionando grande dano ou prejuízo. Do italiano disastro (de dis+astro) ‘má estrela, infortúnio’, século XIV. Nessa época a ideologia diante dos fatos era fortemente marcada pelo pensar mágico, quase tanto quanto atualmente.
Não se trata da mera leitura de estatísticas. Nem de impressionar-se com a emocionalização dos noticiários. Estamos falando de um novo contexto de realidade que veio acrescentar um progressivo grau de exigência para as lideranças em todos os níveis e áreas.
São os meios de transporte que carecem comercial e ideologicamente tornar-se mais e mais velozes, com frequência desafiando propriedades dos materiais e características dos componentes.
São os desastres mercadológicos, na verdade respostas sociais a decisões baseadas mais em gráficos, inércias e “wishful thinking” do que no pensar estratégico.
São vazamentos e outros acidentes com fluidos danosos ao meio ambiente.
São os “desastres de saúde”, cujos crescimento, frequência e gravidade ja começam a ser previstos como parte da nova “normalidade” a partir de agora.
São desastres sociais e explosões políticas que entrarão em pauta, até porque os fenômenos que lhes dão causa estão sendo a cada dia mais excluídos da avaliação auto-indulgente dos setores dominantes.
Essa multiplicidade de contratempos será inicialmente encarada como mau humor dos astros, azar, castigo do incognoscível e outras justificativas análogas.
Mas certamente chegará o momento em que grupos humanos e lideranças se darão conta de que cabe pensar a respeito.
Por desconhecerem o que seja, os partidos políticos demonstram uma inabalável inapetência para aprender estratégia.
Não há por que nos surpreendermos com tal constatação, já que essa "álgebra do pensar" é desconhecida e sequer avaliada pelos demais setores da sociedade.
Pena que para dizer o que é estratégia tenha-se que começar por dizer o que não é, devido ao uso desprofissional ou ingênuo que se tem feito desse termo. Para começar a limpar o entendimento, cabe destacar que qualquer tática, fórmula ou proposta subjetiva avessa à crítica não se torna estratégia só porque alguém a apelida como tal.
A escolha da estratégia por uma instituição ou empresa é uma resolução sistêmica, individual ou em grupo. Os integrantes da identidade começam por buscar clareza quanto à natureza da intervenção que desejam. Em seguida, processam todos os passos do sistema resolutório. O resultado não é uma bíblia petrificada, mas uma bússola para a navegação. Não é aquele trambolho verbal que se registra em cartório.
Estratégia não se destina a qualquer enfrentamento, mas a intervenções ou empreendimentos que solicitem a inteligência como arma decisiva. Por isso, é considerada "a arte para vencer o invencível".
Estratégia é para a guerra. Para a batalha, a tática. Enquanto se repetir as operações táticas como suficientes em um empreendimento, sequer se consegue pensar estrategicamente.
Estratégia é a álgebra de um jogo em que com freqüência o próprio tabuleiro também se move e, portanto, não cabe ser jogado apenas com o pensar linear e seqüencial, por melhor que este esteja.
A estratégia se expressa em procedimentos mentais, mas depende de atitudes no pensar, sem as quais tais procedimentos não acontecem.
É com grande pesar que comunicamos o falecimento de nosso fundador e Presidente, José Leão de Carvalho, ocorrido no dia 14 de abril.
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