Analogia Cinematográfica |
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"Muitas vezes vi para onde deveria ir ao me encaminhar para outro rumo." - R. Buckminster Fuller
Tanto no entendimento erudito quanto no uso coloquial, pensamento é o produto da operação-pensar mediante a qual a inteligência atua sobre a realidade com o propósito de conhecê-la ou transformá-la. Adquirimos e ao mesmo tempo desenvolvemos esse recurso, tanto formalmente quanto por via da cultura em que vivemos. A maior parte do tempo, mesmo os mais “pensantes” entre nós, tratamos esse recurso pensar como um escravo serviçal. Por ser assim tratado, o Pensar vez por outra mostra-se indomado, desobediente a nexos e, por isso mesmo, entende-se que deve ser mantido enjaulado. Libertamos, por via da comunicação, somente aqueles seus “produtos” que tendem a receber aprovação.
O pensar, porém, é processo. Mais precisamente uma multiplicidade de processos, que por ser algo vivo – o que temos de mais vivo –, não busca nexos nem consistência. E é com esse universo sempre inesperado que lidamos ao trabalhar com o processo criativo.
Segue-se uma breve resenha da compreensão científica desse oceano submerso e inesperado. |
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Muito além da verdade única |
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| “É impossível a um homem aprender aquilo que ele pensa que já sabe.” – Epicteto
A Europa dentro de nós
Concordamos que a dificuldade de olhar um objeto ou situação sob novos ângulos e de repensar a respeito procede de noções como normal versus anormal e certo como antípoda de errado, enraizadas na cultura. Mas não são apenas esses os limitantes.
É necessário levar também em conta a permanência da cultura branca – européia, ibérica, católica e um tanto moura – no sistema ideológico da sociedade brasileira. Essa herança impregna o imobilismo das convicções com um sacrossanto autoritarismo que acha legítimo ser defendido com os dentes cerrados: “Essa é a minha opinião!”.
Faz falta um estudo antropológico do tribalismo europeu. O autoritarismo das convicções estende-se a toda a Europa, apenas com variação de nuances. Essa leitura não visa um juízo ético ou político do continente europeu, nem expressa qualquer grau de aversão. Esse traço das culturas européias inibe a flexibilidade e a expansão do pensar. Dispensável lembrar o preço alto e permanente que os próprios europeus pagam por seu “apego à verdade eterna e acomodada”. Nietzsche, o precursor da linguística, foi certeiro: “As convicções são inimigos mais poderosos que a mentira”.
Tanto os europeus quanto os latino-americanos (e os anglo-americanos também...) precisamos ganhar clareza sobre as afinidades autoritárias que, em nossos sistemas ideológicos, estão frenando a flexibilização do pensar. |
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Quem "deveria" se beneficiar |
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"Nós somos chamados para ser arquitetos do futuro,
não suas vítimas." - Buckminster Fuller
Nossa experiência de 30 anos no ILACE permite-nos
lembrar um leque de públicos que "deveriam" se interessar
em aprender (e internalizar) a metodologia do Pensar
Transformador. Foram nesses segmentos ou situações
que testemunhamos transformações tanto existenciais
quanto profissionais mais significativas.
Comecemos pelas faixas etárias mais maduras.
O diretor que se recusava a aposentar-se, mas sentia-se
inseguro em continuar à frente da empresa por temer estar
ultrapassado pelos mais jovens. A metodologia, segundo ele,
trouxe-lhe dois resultados: a) permitiu-lhe descobrir como
transformar sua experiência em uma fonte comunicativa e
confiável de apoio aos demais diretores; b) encorajou-o a
abrir-se a surpresas mediante as quais passou a aplicar novos
diferenciais para decisões. E todas essas conquistas lhe
pareceram "naturais".
Os que estavam às vésperas de aposentar-se -
loteria do século dezoito cujo prêmio consiste em
ficar esperando a morte - e, subitamente rebeldes ou
rejuvenescidos, criaram novos capítulos de vida.
Aquele executivo sênior e aquele pesquisador que, ao
perceberem o desinteresse da diretoria por novos desenvolvimentos
tecnológicos, criaram seu próprio empreendimento e,
graças a esse salto arriscado, lançaram um conceito
inovador e vitorioso.
Aquela mulher cuja carreira artística fora interrompida
pelo casamento e pelas responsabilidades maternas que, ao se
flagrar deixada para trás pela autonomia dos filhos,
retomou sua arte em um nível mais elevado.
Aqueles milhares de engenheiros, administradores,
pesquisadores e profissionais dos mais diversos campos que,
após um breve contato com a metodologia do Pensar Eficaz,
repensaram alguma situação existencial ou
profissional. Imagine se não tivessem se limitado a um
breve contato. Imagine se tivessem sido milhões de
profissionais. Imagine se já tivessem formado massa
crítica. |
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Por que os jovens teriam que nos obedecer? |
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"O que será, que será?
Que todos os avisos não vão evitar
Por que todos os risos vão desafiar..."
Chico Buarque, O Que Será Que Será?
Seria injusto esperar isso deles. Além de injusto com
eles, irresponsável com o futuro do país e da
espécie humana.
Foi exatamente a obediência de nossa
geração e das anteriores que amontoou essa coisa
indescritível que está aí.
Obedecíamos e teimávamos em continuar obedecendo a
tudo que nos era vendido pela mídia e pelos demais
supermercados de paradigmas, modismos, crenças, valores e
verdades.
Depois de tanta obediência e defronte de tanto
descalabro, ainda pretendemos que os jovens nos sigam? Já
passou da hora de recolhermos a viola no saco.
Se queremos o melhor para os nossos filhos, nosso desafio
consiste em ajudá-los a escolher outros caminhos. Mas
ajudá-los não é escolher por ele(a)s nem
dizer-lhes o que fazer.
Milhões de pais e mães preocupam-se com o mundo
que estão entregando a seus filhos e netos. E uma parcela
já começa a ter consciência de que "outro
mundo é possível". O que nem sempre se mostra claro
é que outro mundo só é possível
mediante outras formas de pensar. |
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