Uma das surpresas que o trigésimo aniversário do ILACE nos presenteou foi revelar-nos que os nossos achados e avanços culminaram em uma nova metodologia. Agora, só nos resta resumi-la e disponibilizá-la aos setores sociais e profissionais interessados.
Uma das tarefas resultantes é a reconstrução do nosso currículo. Para responder à nova realidade social e econômica, o novo currículo terá de inclusive considerar paradigmas há muito instalados nos círculos de educação empresarial.
Já adiantamos porém algumas peculiaridades do novo currículo que será divulgado antes de abril 2010.
Comprometemo-nos a informar os fundamentos dessas modificações através de nosso site. Aliás, já começamos a informar nesta edição.
Que 2010 invalide a tal ponto o Livro Balofo das Verdades e
Certezas que, perplexos, os sábios e os decisores comecem
a repensar o mundo e a si mesmos.
Que os castigos ambientais acertem a pontaria sobre os indiferentes e os que acreditam estar lucrando.
Que nenhuma criança se torne adulta enquanto restar incólume o dinossauro jurídico do pátrio poder.
Que algo se espante dentro de cada um de nós, para que os dias de agora gerem dias e calendários desafiadoramente novos.
Que atiremos na cesta do lixo “boa vontade”, “paz”, “sucesso” e outros perfumes enjoativos nos quais ninguém acredita.
Que algo valha a pena por ter nascido de cada um de nós, sem mentiras e sem clichês.
Amém, por que não?
Leão de Carvalho
A revista SCIENTIFIC AMERICAN BRASIL, edição janeiro 2010, traz uma matéria de capa intitulada “20 Idéias para Mudar o Mundo” que, como é fácil imaginar, chamou nossa atenção. São efetivamente propostas talentosas, respaldadas em pesquisas e quase todas merecedoras de atenção nível plus, em razão do que prometem. Mas dizer que mudariam o mundo já emana um cheirinho de marketing.
Nossa principal observação metodológica, porém, é que toda idéia no conceito leigo de idéia é vitimada pela teratologia de haver sido gerada sem a necessária contextualização sistêmica. Não há qualquer mesquinhez nessa advertência; pelo contrário, respeitamos e salientamos a ousadia e o esforço aplicados. Mas, se já existe uma metodologia sistêmica para processar um invento ou inovação, por que não aplicá-la? Deixemos para responder esta pergunta mais adiante.
Ao contemplar a matéria da revista, lembramo-nos da iniciativa do nosso conselheiro Gilvan Azevedo em outubro de 2008 quando decidiu enviar a um concurso mundial do Google a proposta do ILACE de oferecer a Metodologia do Pensar Eficaz como instrumental para transformações em todos os palcos.
Dentro das regras do concurso, nosso companheiro propunha que o Google deflagrasse e/ou patrocinasse nos países emergentes o esporte do pensar inovador, ao criar clubes que competiriam na Copa do Pensar. Ao seminar essa nova categoria de esporte mediante uma estratégia de transformação cultural, abre-se espaço a torcidas por uma nova visão de mundo. O exercício do novo “esporte” leva as pessoas e comunidades a transitar da aceitação fatalista das circunstâncias para o reconhecimento da própria capacidade de mudar a realidade. Mais importantes do que as riquezas geradas ou descobertas (produtos, serviços e formas de convivência), é suscitar nas comunidades o protagonismo.
Leão de Carvalho
Nestes dias, principalmente no Brasil, muitas pessoas estão lamentando a violência com que o menino americano foi arrancado de sua família brasileira. O pai tinha e tem o direito de lutar pelo convívio e por assumir a guarda e educação do garoto, que lhe fora raptado pela mãe. Mas o desfecho não tinha que ser tão grosseiro, tão sem nuances.
O que agora aconteça com o menino e seu pai vai caber na ordem das normalidades. O pai, quando passar o sabor da “vitória” e quando já não estiver imerso na atmosfera narcísica dos “reality shows”, poderá sentir algo parecido com frustração. Alguns sentimentos de perda do menino encontrarão compensações nos festejos e outros envolvimentos que lhe serão prodigalizados. O futuro? Desejemos que seja o melhor para todos os envolvidos. E torçamos discretamente para que Sean, ao chegar à idade adulta, não seja enviado como missionário ou mariner para “salvar” o país em que ele um dia viveu.
Mas o que nos interessa é pensar por que o desfecho do litígio “internacional” foi tão provinciano, tão burocrático e tão insensível.
Nenhum executivo ou empresário precisa pagar cursos ou conferencistas importados para ganhar uma visão do tal globo com que agora tem de lidar. Uma simples mudança de rotina poderá proporcionar-lhe essa visão subitamente exigida.
Para quem tem o hábito da leitura – e os executivos geralmente têm – já fica mais fácil, é só incorporar umas poucas publicações, talvez substituir algumas.
Uma fonte surpreendente é Le Monde Diplomatique Brasil, publicação mensal com uma linguagem menos pasteurizada que as revistas de grande circulação e não tão excludente quanto as de cunho acadêmico. Seu conteúdo é de amplo espectro, desde a democracia digital à economia e à política de Mianmar, bem como as contradições do governo Obama. E seu olhar abrange todo o globo. Em seis meses, o leitor percebe que nenhuma agência de viagens poderia ter lhe oferecido um “pacote” tão diversificado.
Outro manancial é o caderno do The Economist encartado na revista CartaCapital, também esta há anos recomendada aos nossos leitores em razão do seu jornalismo, que se pauta pelo “respeito à inteligência do leitor”, de que nos falava Lippman. Alguns desses encartes abrem verdadeiras estradas de possibilidades ao empresário que “não tem nada a ver com o assunto”.
O mesmo poderíamos dizer da revista Pesquisa da Fapesp. O leitor não precisa estar preocupado com nenhuma daquelas notícias e reportagens. Sua inteligência por assim dizer toma caronas.
Já a revista trimestral Política Externa é a ponte para os administradores de negócios transitarem da “caipirice década de 50” de certas associações empresariais, que está ancorada numa postura coitadinha, para uma visão de quem está disposto a sair para o mundo. Só exige uma leitura curiosa e aberta.