203o Curso de Imersão em Criatégia - de 7 a 11 de Agosto

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Uma crise com encantos secretos

Uma crise com encantos secretos

O momento que se está chamando de Crise, se pensado isento das formatações rotineiras, abre oportunidades inesperadas para escolhermos o nosso futuro.

Oportunidades para saltos profissionais, oportunidades para novos negócios, oportunidades políticas, oportunidades para refazer geografias dentro e fora de nós e oportunidades para nos surpreendermos com quem realmente somos.

Atrair ou persuadir empresas para responder estrategicamente à retração dos mercados é um desafio global que aqui cresce de vulto por um problema de comunicação. Este por sua vez alimenta-se no sistema ideológico da cultura.

Destaquemos uma singularidade na situação brasileira: a possibilidade de empresas aqui situadas, ao explorar a perplexidade global, descobrir novas brechas e negócios. Gerar produtos, reformular conceitos e operações, lançar novas necessidades ou modas, reconceituar negócios e parcerias, criar novas redes, et cétera. Mas por que não se aborda essa possibilidade? Por que a mídia não abre espaço para esse pensar exploratório?

Prospeccionar oportunidades transformadoras exige apenas uma maneira especial de pensar. Essa maneira, específica para os momentos de crise, pode ser resumida como repensar estrategicamente. Inovar produtos e conceitos vem depois. Não estamos desprezando o papel da inovação, a que temos nos dedicado tanto. É que, no contexto de uma crise, corre-se perigo de inovar para uma estratégia passada.

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Repensar estrategicamente exige banir as ilusões.

Repensar estrategicamente exige banir as ilusões.

Aliás, é por isso mesmo que repensar a crise pede tanto pensar crítico.

À primeira vista, parece absurdo associar crise com ilusão. Vejamos, porém, a origem e o comportamento das crises em qualquer campo.

De onde vêm as crises?

Na medicina, nas organizações, nas relações sociais e políticas, a crise é sempre "um desequilíbrio que sobrevém no curso de uma situação" ou "a súbita alteração em um estado aparente de boa saúde".

Isto nos diz que os dados da crise pré-existiam na situação. Algo falhou no olhar, no diagnóstico ou no prognóstico. Em outras palavras, foram formas de pensar (paradigmas, crenças, verdades entrincheiradas e calos mentais), ilusórias naquele contexto, que abriram espaço para a crise.

Vejamos algumas ilusões exemplares.

Em 13 de fevereiro de 2006, um artigo de Francesc Petit na edição 380 de CartaCapital (“Solução para os Sem-Carro”) comentava a crise das matronas Ford, GM e Chrysler. “Esse quadro se deve em grande parte ao fato de que o setor automotivo olha só para um segmento do mercado, a classe média do Primeiro Mundo, que deve girar em torno de 800 milhões de pessoas e deixa de lado os outros 3 bilhões que estão à margem da economia.” Na ocasião, saudamos a abordagem de inovação conceitual do articulista: “O carro deve ter as características da vestimenta chamada ‘básica’, ou seja, o jeans e a camiseta.” E acrescentamos: “A mudança exige aprendizados para o ainda-não-existente, mas a organização induz sua inteligência empresarial a continuar funcionando para o passado, submissa ao que está implantado.” No mundo empresarial existe a propensão a espichar uma “normalidade” para além do seu momento. Em consequência, escorrega-se na própria ilusão.

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Transição é "uma situação que anda".

Transição é

Transição sf. 'ato ou efeito de transitar' 1813.
Do lat. transitio-onis.

Aliás, nenhuma situação está parada.

Podemos comparar transições com aquelas esteiras rolantes sobre as quais se anda em alguns aeroportos. Um exemplo é a esteira dos rumos da economia, que talvez signifique algum novo desafio (oportunidade, atropelo, transformação). Transições sempre aconteceram, pelo menos desde que existe o tempo. O que está chamando a atenção nas empresas, nas instituições, nos negócios, na política e na própria economia é uma crescente aceleração no ritmo das transições. E nada indica que esse ritmo vá arrefecer.

Transições são processos em andamento. Não podem ser trabalhadas como fatos do passado, os quais já estão formatados e empacotados. Um dos atributos do pensar é encarar a realidade, inclusive as transições, como processos sujeitos à intervenção humana.

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The Methodology of Transformative ReThinking

“We are yet to come to the world
The world is yet to be
The things are yet to be made
The reason of being is yet to be found.”

Antonin Artaud

The methodology of transformative thinking is the progressive, integrated and harmonious mobilization of critical thinking, creative process and strategic thinking.

The decision-maker triggers this mobilization at the very mapping of the challenge, which is “that moment when the passive contemplation of the situation becomes the first signal of the will to intervene in reality.”

Once having processed the scenario and afterwards the strategical challenge, the decision-maker (a person or a group) takes on the proper measures of divergence with extreme rigor. There is no talking, no mentioning examples or invocating theories, no influence of the current or usual opinions and points of view. This procedure can be easily qualified as innocent and radical. Intelligence works with this innocent eye looking at things, and not with memory.

The very core of transformative thought is “exercising thinking processes by alternating divergence and convergence”.


A crisis and its secret charms.

This moment currently referred to as Crisis, if analyzed apart from its usual formatting, opens unexpected opportunities for us to choose our future.

Opportunities for professional growth, opportunities for new deals, political opportunities, opportunities to redraw the geographies inside and outside of us and opportunities to surprise ourselves with who we really are.

Attracting or persuading companies to respond strategically to the downsizing of markets is a global challenge that grows exponentially here because of a communication problem, fed by the culture’s ideological system.

We’d like to highlight a peculiarity of the situation of companies operating in Brazil: the possibility of finding new opportunities and niches, just by exploring global perplexity. Creating products, reformulating concepts and procedures, launching new trends and needs, reconceptualizing businesses and partnerships, creating new networks. Our question is: why on earth isn’t this possibility explored? Why doesn’t the media open space to this new exploratory mindset?


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