Eventos no segundo semestre

28 de julho a 2 de agosto 198o Curso Básico de Criatégia
15 a 20 de setembro Curso de Desenvolvimento do Pensar Estratégico
17 a 18 de outubro Congresso Internacional de Criatividade e Inovação

Uma instituição que se compromete com o que declara

Há tantas declarações feitas apenas para ornar discursos que você tem razão em seu ceticismo. Mas o ILACE tem pago preços tão altos por se manter coerente com a sua filosofia e a sua metodologia que não cabe incluí-lo no rol das instituições cínicas ou burocráticas.

Faça um teste: procure uma pessoa que não gosta do ILACE; ouça-lhe as razões e você logo vai descobrir como a ética contida no texto abaixo a agride. E é quase certo que a depoente jamais participou de um curso nosso. Estamos transcrevendo os artigos 2º a 5º dos nossos Estatutos (registrados sob nº 29066 no 2º Ofício, Registro Civil das Pessoas Jurídicas, São Paulo, SP), para que o visitante deste portal possa aferir a responsabilidade de uma instituição que se dedica ao desenvolvimento das atitudes e dos processos do pensar.

"Artigo 2º - A missão do ILACE é contribuir para a permanente elaboração de um instrumental de pensamento capaz de inserir círculos cada vez mais amplos na compreensão e operacionalização de ambientes complexos.

Artigo 3º - O objetivo social da instituição é desenvolver e difundir metodologias e instrumentais que ampliem, diversifiquem e encorajem o uso do pensar como recurso para decisões e ações em todas as esferas da intervenção humana.

§ 1º - Em direção a esse objetivo de reconstruir a cultura mediante a emancipação mental, o ILACE propõe-se investir, pesquisar e atuar nos campos da lingüística, da antropologia, da filosofia e das ciências cognitivas em geral.

§ 2º - Coerente com sua missão, em obediência ao seu objetivo social e como decorrência lógica dos investimentos que faz em desenvolvimento metodológico, o ILACE propõe-se oferecer padrões para o trabalho com o processo criativo no Brasil.

TÍTULO II - BASES E PREMISSAS

Artigo 4º - Algumas escolhas preliminares são declaradas e assumidas como fundamentais para o funcionamento da instituição:

  1. O desenvolvimento e a confiança no pensar integram um direito fundamental de todos os seres humanos, e desta premissa derivam as opções filosóficas e as ações da instituição. Ao valorizar a inteligência como o recurso para o
  2. existir, o ILACE reconhece o ser humano como o agente da história.
  3. Os desenvolvimentos metodológicos alcançados pela instituição serão difundidos pela metodologia da facilitação de processos do pensar, inclusive em situações de aprendizado, jamais se admitindo posturas magistrais ou de fornecimento de saber.
  4. A instituição rejeita toda e qualquer tentativa de inserir nos cursos e eventos sobre o pensar criativo e estratégico expressões de irracionalismo, mistério ou desqualificação da ciência, ainda quando apenas na linguagem ou sob qualquer outro pretexto.
  5. Para a inteligência nada é impossível nem invencível. Uma das funções do pensar é desfazer as ilusões da desistência.
  6. A instituição não opera com quaisquer manifestações de inatismo ou noções que pressuponham diferenças herdadas ou inatas.
  7. A instituição assume que o nível atitudinal determina a qualidade e as opções do pensar, pelo que se obriga a manter permanentemente o compromisso de pesquisar o sistema ideológico da cultura.
  8. A instituição não se vinculará jamais a qualquer corrente religiosa, filosófica ou partidária.

Artigo 5º - A instituição pauta-se por alguns parâmetros éticos e operacionais:

  1. Para trabalhar com o pensar, o principal requisito ético é a competência.
  2. Em suas atividades (pesquisas, docência e serviços), a instituição age exclusivamente através de voluntários que operem segundo sua metodologia, sua ética e seus Estatutos.
  3. A óptica e os critérios de marketing não prevalecem contra a metodologia e a filosofia da instituição.
  4. Pela natureza de sua missão, a instituição propõe-se apoiar a proteção ao direito de autoria e denunciar as formas de desrespeito ao mesmo."

Conheça alguns dos que fazem o ILACE


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Webmaster: Henrique Arnholdt

Congresso Internacional de Criatividade e Inovação

Remédio contra o ódio e a cizânia

A América Latina, com especial destaque para o nosso País, vive um momento auspicioso mas, em algumas horas, sombreado por nuvens conhecidas. São exatamente as possibilidades e os começos de transformações que provocam reações crescentemente frenéticas nos setores que resistem a mudanças.

Dos fatos políticos enfocamos apenas o segmento em que nos especializamos: os processos e atitudes mentais que estão se revelando nos debates, mormente os do gênero mão-única.

A grande mídia, habituada a se apressar em servir aos interesses que lhe parecem dominantes, pauta-se por denegrir os fatos e atores que preconizam ou acenam com mudanças, por menores que estas sejam. E, obviamente, encontra fatos e factóides que lhe permitem manter um tom acusatório que é bem acolhido e multiplicado por mentes desprovidas de pensar crítico, mentes que em períodos de tensão constituem o "jogral político das classes médias".

As supostas elites, inseguras por inexperientes, por sua vez acreditam no que a mídia lhes acena como ameaças. E realimentam a corrente de não-pensar. Esse monótono moto-contínuo de pensar sem pontaria normalmente se agrava quando entram na roda preconceitos e outros delírios ideológicos.

A mídia vai perdendo a autocrítica. A necessidade de "manter o sucesso", a emocionalização dos personagens, os vieses dos profissionais, tudo é auto-excitação e descalabro crítico. Como sempre aconteceu, chega o momento em que os vilões escolhidos são arrastados para a fogueira.

Em toda essa novela, há atualmente uma força com a qual Goebbels não contava -- a internet. Os atuais profissionais da mídia parecem acreditar que a Rede é uma mera caixa de ressonância. Quem acredite não terá observado as mutações monstruosas com que ela potencializa qualquer patologia.

Destaquemos apenas dois desses "pendores vindos das trevas" que estão se revelando na internet - o ódio e a cizânia. Vimos colecionando mensagens e executáveis emitidos por pessoas e grupos que precisam de vilões. Começam fazendo ironias. Logo passam a fazer denúncias. Rapidamente surfam na pauta acusatória da mídia. E já não disfarçam seus impulsos. Por exemplo, o entusiasmo racista é tal que um de seus profetas propõe embarcar todos os negros e pardos que no Brasil se dizem afro-descendentes (ele tem ódio patriótico a essa expressão) e "descarregá-los" de volta na África.

Emitir julgamentos "morais" contra esses atos e seus protagonistas é resvalar em outra dimensão. As pessoas que expressam esses "pendores" podem ser dignas ou mesmo irrepreensíveis no seu cotidiano familiar e em outros palcos. Nos anos 20 e começo dos 30, Ernst Bloch fez uma espécie de diário das atitudes mentais do "homenzinho", como ele chamava a classe média alemã. Dessas anotações resultou "Erbschaft dieser Zeit" ("A Herança do Nosso Tempo"). Obra pioneira sobre o papel dos boatos, fofocas, insultos, distorções e acusações sem prova no "enriquecimento" do imaginário das classes médias em suas cruzadas "morais" contra as mudanças, culminando em uma trágica anestesia crítica. Pena que esse livro ainda não tenha sido editado em português.

Não há razão para pasmo nem espanto. Esses "pendores" estão e estavam aí mesmo. O momento é que os inflamou. O que vai acontecer com o evoluir do que foi gerado não é nosso território aqui.

A cizânia e o ódio orquestrados têm o talento de deprimir a todos. Mas dispomos de um escudo eficaz contra os pregadores de dedo-em-riste: entender o que a sociedade está de fato construindo, apesar de nossas dificuldades. Há muitas fontes de informações sobre essa realidade que não gera manchetes excitantes. Por exemplo, a revista Pesquisa da Fapesp. Essa publicação, cujo tratamento jornalístico a faz agradável ao leitor mediano, na edição de fevereiro reporta façanhas brasileiras em diversos campos: educação, meio ambiente, tecnologia, bioquímica e robótica. É entusiasmante a matéria sobre a Embrapa. Pesquisar o que está sendo feito é o melhor anti-tóxico para a nuvem entorpecente da cizânia.

As revistas de negócios poderiam cumprir um papel construtivo se não fossem os seus vieses de torcida irracional.

Não raciocinam estrategicamente. A esperança é que logo alguma divise a necessidade / oportunidade.

O BNDES, por sua vez, tarda a perceber que lhe cumpre também um papel educativo, que poderia ser realizado pela ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial). Bastaria que conseguisse despertar a iniciativa de uma pequena parcela daqueles empresários que não pensam empresarialmente, mas como bebês esganiçados. Há excelentes oportunidades para empresários que olhem para fora dos muros. Alguns já fizeram esse giro no pensar empresarial: deixaram de cantar "O Meu Mundo Caiu" e procuraram descobrir negócios no chão da realidade que temiam.

É o caso de mais uma vez repetir Leonardo Da Vinci: "É só pensar, e haverá asas!".


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