“Fazer do Brasil um País”


7 de setembro de 2009. Algumas facções das Casas Legislativas estão esfregando as mãos – e trincando os dentes – antegozando o frenesi de aplicar ao Projeto de PréSal o “corredor polonês” da mesquinharia partidária. Mas note que também o Governo encaminhou o projeto como se se tratasse de uma proposta de rotina.

Um projeto que exige mais do que uma discussão para economistas. Um projeto que até justificaria uma mudança constitucional. Um desafio diante do qual interesses estrangeiros não têm qualquer experiência  nem disposição para “fair play”. Um contexto mundial em que toda e qualquer santidade alienígena é preliminarmente inimiga.

“Guerra” tão especial requer estratégia fora de modelos. É o futuro que está em jogo. Não é este ou aquele partido.

Por ser estratégico, esse projeto teria que ser encarado como assunto de segurança nacional. Por ser estratégico, tem que ser encabeçado pelo Poder Executivo com a assessoria independente mas solidária do Judiciário e com a discussão responsável pelo Legislativo.

Assim agem os países com tradição democrática.  Cada casa do Congresso cria uma comissão especial para trabalhar com anteparos e em regime de segurança.

Em situações extremas, se necessário, órgãos de segurança incumbem-se de vigiar não só os fisiológicos. Se for o caso, investigar as fontes de receita de autoridades, parlamentares, técnicos e empresas da mídia. Discretamente, responsavelmente, mas em regime de alerta. Se existe o menor gesto de ameaça externa, a dissensão interna tem que ser auscultada e vigiada minuto a minuto.

Talvez no projeto do PréSal não sejam necessários cuidados tão extremos. Talvez. Mas o encaminhamento exige mais do que solenidade. E menos que ressentimentos. Exige repensar antes.

Quando abordamos o Pensar Crítico como uma das vertentes do Pensar Transformador,  recorremos deliberadamente ao mote “Fazer do Brasil um País”, que se mostra difícil de ser aceito em um primeiro momento. É compreensível que as resistências empunhem argumentos lógicos e óbvios.

Esse mote incomoda muito ao pensar instalado. Mas é interessante observar que a fonte do incômodo está precisamente no paradigma de valorizar a noção de soberania. Só que na cultura esta noção exila-se abstrata e ao mesmo tempo pétrea em um santuário que só consegue ser lembrado em discursos.

O que nos falta para fazer deste país um País? Apenas um rePensar que o veja sempre no futuro. O repensar permanente que se nutre na Dimensão da Esperança e, assim, vence os ressentimentos e mesquinharias nascidos no narciso coletivizado das torcidas organizadas.

O mote de Stefan Zweig “País do Futuro” foi banido pela zombaria mesquinha e pouco dotada. Qual a dificuldade de entender que se trata de um país cujo futuro está sempre se reinventando?

E qual a dificuldade de entendermos que esse Brasil está sempre se parindo como um novo País?

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Comentários dos leitores

Tá meio apimentado/salgado/indigesto para o meu gosto.

1- Pré-sal. Tem bastante sal, e pouca certeza quanto ao molho. Ontem (16/09) ouvi um especialista em petroleo comentando sobre as incertezas. Uma delas é causada pelo tipo de terreno, calcáreo, que oferece mais riscos que um solo arenoso. Em resumo, estas reservas podem gerar um monte dinheiro, ou nem tanto. 9 bilhões de barris podem ampliar as reservas do país em US$200bi conforme o Manteiga (só para manter o viés culinário). Há estimativas indicando necessidade de US$50bi para realizar a produção. Apreciemos o espetáculo, mas falta encher o bucho.

2- Fisiologismo. Lembra-me buchada de bode. De prato popular a iguaria apreciada pelo candidato refinado. Portanto: de nada adianta vigiar quem chegou ao poder, pois sua sustentação vem daqueles que saboreiam buchada autenticamente.

3- Fazer do Brasil um país. Em 1992 tinhamos 35,12% de miseráveis, contra 19,31% em 2006. A população total cresceu de 157 para 184 milhões. Tinhamos 55 milhões de miseráveis em 1996, contra 36 milhões em 2006. Em 2008, a classe média (renda de R$1000 a R$4000) chegou a 52% da população. Em resumo: de um país do tipo “elite x povão”, tornamo-nos um país de classe média

Acredito profundamente que nossa evolução como país é fato gerador da vigilancia que a imprensa está exercendo sobre os tres poderes, comprovada pelo esperneamento.
Está na cara que os eleitores escolheram o candidato que lhes proporcionou a fuga da miséria e a evolução para a classe média.

Portanto rebato: este país está se tornando um país, a despeito das elites e das idéias intelectuais.