Mensagem de um estudante de física vinda de uma das nossas lonjuras territoriais convenceu-nos a não mais adiar esta resposta a ele e a outras perguntas vindas da área de ciência e tecnologia.
"Aplica-se Criatégia em ciência e tecnologia?"
No mundo inteiro. A propósito, as primeiras manifestações de interesse pelo pensar criativo vieram de matemáticos, físicos e químicos. Alguns já no final do século 19.
Talvez os norte-americanos desconheçam quanto devem a Buckminster Fuller, Charles Kettering, Alfred Whitehead e Linus Pauling. E também podem haver esquecido que John Arnold já nos anos 50 ousou a disciplina Engenharia Criativa no M.I.T., hoje o único centro acadêmico no mundo que integra pensar criativo, heurística e estratégia em suas atividades.
Na Europa, principalmente na Alemanha, aplicam-se no desenvolvimento tecnológico inúmeras técnicas de ideação, desde as clássicas até a "confrontação visual" entre outras de autoria de Horst Geschka.
No Japão, país líder em registro de patentes, a Universidade Nações Unidas, instituição presidida pelo irmão do imperador, coordena os "grupos de invenção e inovação", que empolga desde estudantes de segundo grau a donas-de-casa. Nos cinco continentes, várias técnicas de "alongamento" do pensar são utilizadas em áreas de ciência e tecnologia.
"A própria ciência não desenvolve o pensar?"
Desenvolve, sim. Parece porém que, a partir desse fato, alguns profissionais de C&T auto-inibem-se para perceber que podem expandir e diversificar deliberadamente os seus procedimentos e atitudes no pensar.
Em qualquer atividade profissional, mesmo nos níveis mais elevados de escolaridade, apenas uma minoria desenvolve fluência no "pensar eficaz", aquele que, por fora do instalado, recomeça, descobre, inventa, transforma, inova, antecipa, empreende, gerencia.
Os círculos científicos e as pessoas dentro deles são brecados por circunstâncias ideológicas que lhes são específicas e também por algumas normais à cultura em que vivem.
"Qual a vantagem de expandir o pensar?"
São muitas. A primeira que se percebe está no "ritmo dos achados". Percepções, associações e descobertas, com freqüência "acidentais", que viriam do trabalho paciente e demorado, são aceleradas por iniciativas deliberadas. Na segunda metade da década de 50, descobriu-se que o pensar criativo pode ser deliberado. E a prática metodizada que se seguiu a essa descoberta logo começou a gerar instrumentais - já hoje centenas - que vieram ajudar as pessoas a aplicar o seu pensar transformador.
Pensar criatégico (favor não confundir com o que se vulgarizou como "criatividade") é a movimentação estratégica do pensar com o propósito de inventar conceitos e objetos, antecipar surpresas ou dificuldades e descobrir caminhos e soluções.
Só que, ao aprender e praticar metodologicamente o processo criativo, a pessoa desenvolve a habilidade de sair das formas de pensar lineares e repetitivas, transitando para outros modos e atitudes. E, ao processar cada etapa do sistema de Resolução Criatégica, alterna as aberturas da divergência com a focagem da convergência. Essa alternância é que amplia o pensar.
Embora cada indivíduo e equipe usem diferentemente a metodologia, alguns resultados são mais freqüentes:
Os pesquisadores tendem a se tornar "esportistas" da permanente aprendizagem. A metodologia da expansão do pensar leva a inteligência aprendiz inclusive para fora das salas de aula e demais paredes.
"E o que isso pode oferecer à C&T no Brasil?"
Enraizá-la ainda mais no Brasil. Muitos de nós nos empolgamos com bandeiras como Ciência do Futuro e Universidade do Futuro. Seremos mais descobridores e mais eficazes se nos dedicarmos às Ciências e à Universidade do Nosso Futuro.
A "aposta heurística", o pensar crítico e a estratégia serão os melhores aliados daqueles que distinguirem o Nosso Futuro de algum futuro abstrato ou geral que, por ser geral, nos afasta do nosso. Para a mente do pesquisador essa distinção amplia o olhar e gera novos caminhos.
Dá gosto ver que a C&T está avançando a sério no Brasil. Mas, já que se está falando tanto em inovação, priorize-se inovar no conceito e na estratégia antes que nos produtos. É por aí que teremos chances.
Clique aqui para fazer perguntas e comentários sobre os conteúdos do site.