Quem "deveria" se beneficiar

"Nós somos chamados para ser arquitetos do futuro, não suas vítimas." - Buckminster Fuller

Nossa experiência de 30 anos no ILACE permite-nos lembrar um leque de públicos que "deveriam" se interessar em aprender (e internalizar) a metodologia do Pensar Transformador. Foram nesses segmentos ou situações que testemunhamos transformações tanto existenciais quanto profissionais mais significativas.

Comecemos pelas faixas etárias mais maduras.

O diretor que se recusava a aposentar-se, mas sentia-se inseguro em continuar à frente da empresa por temer estar ultrapassado pelos mais jovens. A metodologia, segundo ele, trouxe-lhe dois resultados: a) permitiu-lhe descobrir como transformar sua experiência em uma fonte comunicativa e confiável de apoio aos demais diretores; b) encorajou-o a abrir-se a surpresas mediante as quais passou a aplicar novos diferenciais para decisões. E todas essas conquistas lhe pareceram "naturais".

Os que estavam às vésperas de aposentar-se - loteria do século dezoito cujo prêmio consiste em ficar esperando a morte - e, subitamente rebeldes ou rejuvenescidos, criaram novos capítulos de vida.

Aquele executivo sênior e aquele pesquisador que, ao perceberem o desinteresse da diretoria por novos desenvolvimentos tecnológicos, criaram seu próprio empreendimento e, graças a esse salto arriscado, lançaram um conceito inovador e vitorioso. Aquela mulher cuja carreira artística fora interrompida pelo casamento e pelas responsabilidades maternas que, ao se flagrar deixada para trás pela autonomia dos filhos, retomou sua arte em um nível mais elevado. Aqueles milhares de engenheiros, administradores, pesquisadores e profissionais dos mais diversos campos que, após um breve contato com a metodologia do Pensar Eficaz, repensaram alguma situação existencial ou profissional. Imagine se não tivessem se limitado a um breve contato. Imagine se tivessem sido milhões de profissionais. Imagine se já tivessem formado massa crítica.

Quais os instrumentais dessa metodologia?

Esse rePensar ativa-se mediante procedimentos e atitudes.
  1. Um conjunto de procedimentos, caminhos, jeitos, "ferramentas" que propicia à inteligência percorrer processos diferentes daqueles gerados e normatizados nos círculos de convivência: família, escola, organização, lazer, amizades, mídia. Tais procedimentos não são fórmulas nem receitas. São práticas que desencadeiam uma nova produtividade no pensar.
  2. Atitudes que sintetizam pensamentos vigentes em uma determinada cultura. Paradigmas, truísmos, crenças, convicções e outras atitudes integram o sistema ideológico das pessoas e grupos (organizações, profissões, instituições, partidarismos, clubes, tribos et similia), governando as escolhas nas operações do pensar. As atitudes assim definidas constituem formas de pensar inquestionadas por se afigurarem como normais. Corramos o risco de generalizar: qualquer inteligência, inclusive artificial, está impregnada por atitudes que impedem novas escolhas e trilhas. Isto não significa que todas as atitudes desmobilizem o pensar, mas que as desmobilizadoras têm força e quase sempre prestígio. Ora, se nem todas são desmobilizadoras podemos recorrer às mobilizadoras - que existem, pois sim - para libertar a inteligência da "normalidade frenadora". Esta é a auspiciosa obviedade por trás da flexibilização e ampliação do pensar.

Só essas duas agendas já seriam suficientes para tornar mais eficaz o pensar produtivo. Mas a metodologia traz inúmeros outros conteúdos: a ecologia do pensar transformador, as táticas para não se deixar arrastar pelos "funis mentais", a abordagem sistêmica para o pensar resolutor, o esporte de surfar no pensar lúdico, a capitalização do aleatório, ad infinitum. Parece que nunca se chega ao amém.

É por causa dessa riqueza de instrumentais que desde a fase inicial do aprendizado, ao proporcionar degustações da invencibilidade do pensar, a metodologia reforça no praticante aquele sentimento de potência que sustenta os vanguardeiros e os descobridores.

Só existe um inimigo

O autodesvalor tocaia todos os seres humanos, todas as organizações, todas nossas façanhas e trata de desencorajar o início de todo e qualquer aprendizado. Às vezes tem o apelido de modéstia ou qualquer outra "virtude anulatória".

Expressa-se na ausência de curiosidade, no fetiche dos limites, em fugir ao que mais se deseja, na vergonha da singularidade e em inúmeras outras atitudes desmobilizadoras.

Para vencer esse inimigo tão "normal", a espécie humana dispõe da valência existencial, um estoque nem sempre lógico de atitudes que levam o sujeito pensante a envolver-se. Essa consciência de compromisso impele o humano a assumir que o seu papel é intervir no mundo. É interessar-se, indagar, participar e, em alguma medida, desconformar-se com a realidade para transformá-la.

Para que se mobilize em uma visão e ação transformadora em qualquer nível, supõe-se que o pensante se assuma no mínimo como potente para intervir. Que se sinta protagonista.

Valência existencial. Em condições sadias, o humano dispõe desse impulso a "valer no mundo".

José Leão de Carvalho

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