Retrospectiva amena de Jornadas Práticas

Uma folha de serviços

Em 1983, por indicação do professor João Bosco Lódi da FGV, a Oxford, indústria de faianças de Santa Catarina, chamou-nos para facilitar uma Jornada Prática em sua reunião anual de diretoria. Até então, não tínhamos ido tão longe de São Paulo. E até hoje não agradecemos ao professor Lódi, mas também não ficamos sabendo por que ele ousou.

Desde então, além de termos voltado à sede da Oxford em São Bento do Sul para outras jornadas práticas, temos atendido a diretorias e equipes gerenciais em todas as regiões do País nas mais diversificadas atividades: organizações assistenciais, estrutura administrativa de dois tribunais e de uma casa legislativa, partidos políticos, entidades setoriais, institutos tecnológicos, instituições de ensino, empresas mercantis e industriais de vários portes.

Nessas jornadas jamais ensinamos nada; apenas aplicamos nosso domínio do feixe metodológico que é a Criatégia®, viabilizado pela nossa prática da abordagem facilitadora. E, talvez por isso mesmo, algumas vezes entramos no trabalho sem conhecer o "núcleo dos saberes" que vai estar na liça.

Assim foi, por exemplo, há seis anos uma jornada em que a diretoria da Essilor, líder mundial em lentes oftálmicas (Varilux, Crizal, Airwear, etc.), processou dados para revisão de sua estratégia. Nosso não-saber sobre o segmento em nada prejudicou o desempenho dos diretores e gerentes que participaram da jornada. Memorável, aliás.

Momentos curiosos e até divertidos não faltam. Ao facilitar uma jornada para uma tradicional construtora, defrontamo-nos com uma equipe gerencial que procurava ocultar dos nossos facilitadores o que pensava. O trabalho, porém, rendeu muitas outras evidências...

Em outra empresa a diretoria contratou o ILACE para facilitar uma Jornada, mas não preparou o executivo responsável pela área. Quando chegamos, ele já estava com a reunião pronta; nessas horas parece que o Power-Point foi feito para isso - para evitar que os outros pensem! O dono do assunto não queria que ninguém surfasse na maionese1 e, já que o ILACE estava por ali, "aceitaria" que acrescentássemos alguns exercícios (sempre chamam de vivências a essas azeitonas) à empada que ele estava oferecendo ao grupo.

Nos últimos anos, facilitamos onze jornadas práticas em diferentes áreas e unidades da Petrobrás. A mais recente foi promovida pela Gerência do Comércio Eletrônico, em 17 e 18 de novembro de 2004. A história que antecede esse evento já constitui em si mesma uma façanha à altura da empresa.

Para finalizar o ano, facilitamos nos dias 13 e 14 de dezembro em Fortaleza uma Jornada de Atualização das Premissas Estratégicas do Instituto Atlântico, instituição dedicada a telecomunicações e informática que tem o apoio organizacional e tecnológico da Fundação CPqD. Pelas "percepções de efeito retardado" que essa Jornada há de provocar, temos orgulho em haver contribuído com o nosso não-saber.

Pena que não podemos descrever - na maioria dos casos, sequer as mencionamos - todas as noventa jornadas práticas que o ILACE realizou. Há poucas semanas, uma especialista alemã afirmava que essa folha de serviços práticos reflete-se nas peculiaridades metodológicas dos nossos cursos. Certamente reflete-se, mas este já seria outro assunto.


1Sempre que nos defrontamos com esse humor anti-divergência, procuramos capitalizar a metáfora: "Surfar não está incluído no catálogo dos pecados. Aliás, pensando esportivamente, por que não experimentar na maionese?"

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