José Leão de Carvalho
O conceito e as práticas da Inovação têm se modificado ao longo das fases do sistema capitalista. A fase pioneira da óptica de produção, foi marcada pela extrema exploração da mão-de-obra fabril e pelo prestígio dos inventores. Redução de custos e aumento da lucratividade caracterizaram a óptica financeira. Na óptica de vendas, apelidada como a da "agressão fálica ao Outro", valorizou-se os artifícios de comunicação. Na óptica de marketing, que foi sem dúvida a mais sábia do sistema por inverter a trajetória da estratégia - imaginar-se em lugar do comprador, antes de pensar na empresa -, destacaram-se a pesquisa de mercado e os psicólogos com e sem aspas.
A atual, talvez pela inadequação ecológica do dinossauro (a economia americana) e pelos desarranjos provocados pela pressa do dragão (a economia chinesa), merece ser chamada a fase do vale-tudo, porque nela coexistem todas as ópticas.
Pode-se cogitar de uma óptica para os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China)? Não temos certeza de que esteja sendo pensada, mas é uma necessidade crucial para essas economias e suas empresas. Aparentemente, a Índia e a China estão mais próximas de clarificar suas estratégias. Quanto à Rússia, parece que a poeira ainda não assentou.
Já que é possível uma óptica brasileira, vale investir na qualidade de pensar que lhe é necessária, sem a qual será elevado o desperdício de oportunidades. Essa óptica, que terá de passar por um menos tímido avanço social e dele beneficiar-se política e economicamente, vai exigir uma consistente "ideologia da e para a inovação". Um sistema ideológico - paradigmas, valores, crenças e descrenças - que liberte de seus "ídolos" o conceito inovar.
Não é uma fórmula. É uma nova "maneira de pensar" para conceituar e gerir inovação.
Não despreza as inovações existentes, mas já não fica limitado a elas. Repensa em função de seus próprios desafios. Em vez de se deixar seduzir pelos resultados que os outros estão buscando, seleciona os que merecem o seu esforço. E não economiza raciocínio ao diagnosticar o seu caminho para alcançar o Resultado.
Para a economia brasileira e para as demais do BRIC, investir em tecnologias "já prontas" é dispersar o esforço com miragens. O salto ou ultrapassagem será retardado se "adorarem" essas tecnologias. Terão que encontrar as suas próprias.
No texto que se segue neste site, "Inovação. Como fazê-la no Brasil", são adiantadas algumas propostas sobre como torná-la um diferencial nosso. Abra espaço para as possibilidades antes de deter-se em suas eventuais deficiências, pois ainda são propostas.
Um passo muito importante, na construção da nossa "ideologia inovadora", será promover um fórum para clarificar o que é necessário transformar na cultura.
Clique aqui para fazer perguntas e comentários sobre os conteúdos do site.