A Comunidade Ilaceana enfrenta um de seus maiores desafios: o da continuidade, o de perpetuar o legado do Leão. Todos nós, ilaceanos, gravitávamos em torno da magnífica figura que ele foi, cujo nome e história se confundem com o ILACE, amálgama de sonho, paixão e compromisso.
Hoje, perplexos, descobrimos que precisamos aprender a distribuir entre os membros do grupo a articulação e a condução do ILACE, o que implica em uma nova dinâmica de funcionamento, mais distribuída porém não menos intensa.
É pensamento comum do nosso Conselho a preservação, a continuidade e o crescimento do ILACE. Todos sabemos o quanto estávamos empenhados na tarefa de repensar o ILACE de forma a mantê-lo simultaneamente fiel aos seus princípios filosóficos e também inserido na contemporaneidade, participando de forma mais incisiva no processo de transformação da sociedade e do País.
Sendo assim, novas atividades já estão sendo planejadas, dentre as quais o curso “Plataforma do Pensar Eficaz/201º Curso de Imersão em Criatégia”, previsto para o período de 04 a 07 de Agosto de 2010. Mais detalhes serão divulgados brevemente.
Esperamos manter vivo o espírito ilaceano através de uma comunicação mais constante, propiciando novos encontros e continuando a catalisar transformações nos diversos palcos pessoais e profissionais.
Na União Soviética, processos políticos e fatores culturais geraram e desenvolveram, a partir dos anos 20 do século passado, uma camada social que ficou conhecida como burocracia. É bom lembrar que essa camada burocrática já tinha peso social e político no regime anterior, antes da revolução de 1917.
Destaquemos alguns significados desse estamento social até a queda do regime. Seu papel na economia. Todas as instituições eram geridas ou monitoradas pela burocracia soviética. O burocrata não era dono da empresa — estatal, lembra-se? —, apenas a gerenciava. Seus privilégios eram de outra natureza. Além de contar com um quinhão especial nos resultados, bem como em outras formas de distribuição, detinha o poder de determinar quem teria vantagens ou não.
Quase concomitante com esse processo na União Soviética, estava a desenvolver-se algo análogo nas empresas americanas. O crescimento dos negócios e das plantas de produção, assim como a complexidade dos mercados e das tecnologias, foi propiciando o surgimento de uma camada social de executivos e CEOs (Chief Executive Officers), sem a qual sequer se pode imaginar hoje a empresa americana. Notável é o conjunto de analogias entre o chamado primeiro escalão na empresa capitalista e seu equivalente na empresa que existia “do outro lado”.
José Leão de Carvalho
Texto registrado em nome do autor no Escritório de Direitos Autorais da BIBLIOTECA NACIONAL, em 31 de julho de 2001.
Desastre sm. Acontecimento calamitoso, especialmente o que ocorre de súbito e ocasionando grande dano ou prejuízo. Do italiano disastro (de dis+astro) ‘má estrela, infortúnio’, século XIV. Nessa época a ideologia diante dos fatos era fortemente marcada pelo pensar mágico, quase tanto quanto atualmente.
Não se trata da mera leitura de estatísticas. Nem de impressionar-se com a emocionalização dos noticiários. Estamos falando de um novo contexto de realidade que veio acrescentar um progressivo grau de exigência para as lideranças em todos os níveis e áreas.
São os meios de transporte que carecem comercial e ideologicamente tornar-se mais e mais velozes, com frequência desafiando propriedades dos materiais e características dos componentes.
São os desastres mercadológicos, na verdade respostas sociais a decisões baseadas mais em gráficos, inércias e “wishful thinking” do que no pensar estratégico.
São vazamentos e outros acidentes com fluidos danosos ao meio ambiente.
São os “desastres de saúde”, cujos crescimento, frequência e gravidade ja começam a ser previstos como parte da nova “normalidade” a partir de agora.
São desastres sociais e explosões políticas que entrarão em pauta, até porque os fenômenos que lhes dão causa estão sendo a cada dia mais excluídos da avaliação auto-indulgente dos setores dominantes.
Essa multiplicidade de contratempos será inicialmente encarada como mau humor dos astros, azar, castigo do incognoscível e outras justificativas análogas.
Mas certamente chegará o momento em que grupos humanos e lideranças se darão conta de que cabe pensar a respeito.
Leão de Carvalho
A revista SCIENTIFIC AMERICAN BRASIL, edição janeiro 2010, traz uma matéria de capa intitulada “20 Idéias para Mudar o Mundo” que, como é fácil imaginar, chamou nossa atenção. São efetivamente propostas talentosas, respaldadas em pesquisas e quase todas merecedoras de atenção nível plus, em razão do que prometem. Mas dizer que mudariam o mundo já emana um cheirinho de marketing.
Nossa principal observação metodológica, porém, é que toda idéia no conceito leigo de idéia é vitimada pela teratologia de haver sido gerada sem a necessária contextualização sistêmica. Não há qualquer mesquinhez nessa advertência; pelo contrário, respeitamos e salientamos a ousadia e o esforço aplicados. Mas, se já existe uma metodologia sistêmica para processar um invento ou inovação, por que não aplicá-la? Deixemos para responder esta pergunta mais adiante.
Ao contemplar a matéria da revista, lembramo-nos da iniciativa do nosso conselheiro Gilvan Azevedo em outubro de 2008 quando decidiu enviar a um concurso mundial do Google a proposta do ILACE de oferecer a Metodologia do Pensar Eficaz como instrumental para transformações em todos os palcos.
Dentro das regras do concurso, nosso companheiro propunha que o Google deflagrasse e/ou patrocinasse nos países emergentes o esporte do pensar inovador, ao criar clubes que competiriam na Copa do Pensar. Ao seminar essa nova categoria de esporte mediante uma estratégia de transformação cultural, abre-se espaço a torcidas por uma nova visão de mundo. O exercício do novo “esporte” leva as pessoas e comunidades a transitar da aceitação fatalista das circunstâncias para o reconhecimento da própria capacidade de mudar a realidade. Mais importantes do que as riquezas geradas ou descobertas (produtos, serviços e formas de convivência), é suscitar nas comunidades o protagonismo.
É com grande pesar que comunicamos o falecimento de nosso fundador e Presidente, José Leão de Carvalho, ocorrido no dia 14 de abril.
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